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Nas
montanhas de Pancas - ES.

Este município é um dos que mais concentra paredes rochosas no estado,
formando uma extensa cadeia montanhosa que impressiona e se estende até
o município vizinho de Águia Branca. Unidos por essas inúmeras montanhas
aglomeradas umas as outras, estes dois municípios formam o “Monumento
Natural dos Pontões Capixaba”: um promissor destino para a prática do
montanhismo, vôo livre, e outros esportes de aventura.
A escalada iniciou em Pancas em 1959 com a conquista da Pedra da Agulha,
que foi um marco na escalada brasileira. Passou-se décadas, até que no
ano de 2000 a Pedra da Gaveta foi escalada pela sua face frontal. Mais
recentemente, a partir de 2009, a cidade vem recebendo com mais
frequência a visita de escaladores, e com isso outras montanhas foram
sendo conquistadas. Como a Pedra do Camelo, Pedra da Cara, do Operário,
Pedra da Mula e do Jacaré. Todas estas vias no estilo da escalada
tradicional, como não poderia deixar de ser, devido as grandes
proporções dessas montanhas.
Abaixo segue um apanhado sobre cada uma destas conquistas, que vem a
mostrar como está o cenário atual da escalada em Pancas, que já vale
muito uma visita!
Pedra da Agulha
Em uma época de um montanhismo aventureiro e heróico, no dia 16 de junho
de 1959 cinco escaladores do CERJ (Centro Excursionista Rio de Janeiro):
Giuseppe Pellegrini, Nélson Bravin Teixeira, Emil Mesquita, Carlos Russo
e Rodolpho Kern, pisaram no cume da Pedra da Agulha pela primeira vez,
depois de terem conquistado os 450 metros da Chaminé Brasília usando
somente 26 grampos. Esta via foi considerada durante muitos anos como
umas das mais difíceis do Brasil. Passando décadas teve poucas
repetições, tamanha sua complexidade considerada até os dias de hoje.
Recentemente a Agulha recebeu mais uma via, na face oposta da Chaminé
Brasília. Uma escalada de 600 metros batizada de “Paredão Bernardo
Collares”, conquistada por Gustavo Silvano (RJ) e Claudia Faria (SP).
Uma via que consumiu cinco dias de ascensão da dupla, feita em uma linda
aresta com a maior parte em escalada em livre de 4º à 7º grau, em
agarras, fendas e chaminé, e pouco trecho em artificial. Chegaram no
cume a meia noite do dia 17 de julho de 2011, concluindo outra bela
linha na Agulha.
Pedra da Gaveta
Após três investidas à Pancas, os escaladores cariocas Gustavo Silvano,
Renato Moura e Cosme atingiram o cume desta imponente montanha no dia 30
de agosto de 2000. Fica localizada um pouco antes da entrada da cidade,
e por ter próximo ao cume um enorme buraco com as dimensões de
aproximadamente 100 metros de frente x 30 metros de profundidade x 50
metros de altura, os conquistadores batizaram a montanha de Gaveta, e a
via de “Paredão Carlos Bernardo”, uma grande escalada com trechos de
aderência, chaminé e artificial em cliffs.
Pedra da Jararaca
Com formato de um pontão, esta pedra fica encostado à outra montanha
maior. Durante o feriado de carnaval de 2008, André Ilha e Yuri
Berezovoy subiram esta montanha em um só dia. A batizaram com este nome
devido ao encontro desagradável que tiveram com duas jararacas. A via “A
Natureza na Passarela (4º V+ A1)” entremeia trechos de escalada com
outros longos de vara-mato, sendo 100 metros o somatório aproximado dos
diversos segmentos de rocha.
Pedra do Operário
Em dezembro de 2009 os escaladores capixabas Oswaldo Baldin e Paulo
Henrique Munhoz fizeram sua primeira investida de conquista em Pancas.
Por incentivo dos moradores optaram em abrir uma via em um paredão
literalmente encravada dentro da cidade, no Bairro do Operário.
Escalando debaixo de um sol muito forte, foram observados pelos
moradores durante toda a progressão pela rocha. E com 330 metros de
escalada conquistaram a via “MissPanca (4º V A1)”, soltando fogos no
cume em comemoração e agradecimento aos moradores de Pancas que foram
muito receptivos com a dupla.
Pedra da Cara
Ao aproximar da cidade de Pancas, um portal natural de grandes
proporções recepciona o visitante e faz brilhar os olhos de qualquer
escalador que visite a região. Este portal é formado pelas pedras da
Agulha, Cara, Gaveta e Camelo. No dia 1º de abril de 2010 Oswaldo Baldin
e Marcos Palhares “Tatu” traçaram uma linha na aresta de maior extensão
da Pedra da Cara, e em um período de 04 horas conquistaram a via “Face
Oculta (4º IV+ E3)”, com 290 metros. Uma escalada muito bonita, pois
esta montanha esta centralizada em meio aos monumentos mais famosos de
Pancas: Agulha, Gaveta e Camelo.
Pedra da Mula
Após a conquista na Pedra da Cara, Oswaldo Baldin e Marcos Palhares
receberam Sandro Souza em Pancas e partiram para o distrito de Lajinha.
Foram atraídos pela curiosa e grande cratera de cor amarelada no meio da
montanha denominada Pedra da Mula (devido ao formato deste buraco),
muito conhecida na região. Traçaram uma linha óbvia na montanha que
seguiria por uma fenda de 150 metros até o grande buraco. Enfrentaram
uma escalada em meio a muitas fendas e chaminés de diversas espessuras.
Atingiram o grande buraco no pôr-do-sol do dia 04 de abril de 2010 e
soltaram fogos que foram ouvidos de Lajinha. Passaram a noite no buraco,
que mede cerca de 30 metros de altura por 50 metros de largura, é plano,
e tem muita areia no chão. A via foi batizada de “Cor de Mula Quando
Foge (6º VI+ E3/4)”, e utiliza-se muitas proteções móveis.
Falésia Raash
No intuito de fomentar em Pancas uma cultura de montanha e em um futuro
breve que escaladores locais surjam na região, Oswaldo Baldin e Marcos
Palhares escolheram uma falésia próxima a cidade e que possui um acesso
facilitado, para desenvolver um campo escola. O local ganhou este nome
em virtude da família Raash que reside aos pés da falésia. A primeira
via aberta em abril de 2010 foi a “Fecha a Conta e Passa a Régua (VI)”
com 50 metros. Em Pancas até as vias esportivas tem grandes proporções!
Muitas outras possibilidades de vias existem nesta falésia, sempre
remetendo à escalada com lances técnicos, que uma boa aclimatação para o
estilo das longas vias de região.
Pedra do Camelo
Após três dias de escalada entre muitas fendas e chaminés, Gustavo
Silvano e Leonardo Alvarez finalizaram a via “Deserto Vertical (6º VIIa
E5)” em setembro de 2010, com 500 metros de extensão. A linha fica
localizada entre a “cabeça” do Camelo e uma montanha encostada
à ela, formando assim este sistema de fissuras. Durante a conquista
acabaram as proteções fixas e tiveram que improvisar no trecho final,
‘parando’ nas duas ultimas em brocas de 1/2. Terminada a via desceram
por detrás da montanha, entre trechos de caminhada e costões.
Pedra do Jacaré
Esta montanha fica localizada dentro do Córrego do Palmital. Quando
avistada do asfalto, todo este complexo montanhoso lembra a cabeça de um
jacaré. Na face que fica de frente para o Sítio Cantinho do Céu (camping
que recebe os escaladores), foi conquistada em 06 de junho de 2011 a via
“Casa da Mãe Joana (4º VI E3)”, por Oswaldo Baldin, Hermes Pereira e
José Luiz Pappone. Uma escalada com 330 metros toda em livre e lances
técnicos em cristais, uma característica das vias de região. Desse cume
tem-se uma vista espetacular das principais montanhas de Pancas.
Estas vias são uma pequena amostra do enorme potencial que o “Monumento
Natural dos Pontões Capixaba” tem a oferecer para a prática do
montanhismo no Espírito Santo. “Em Pancas, mais difícil do que
conquistar, é escolher qual montanha a conquistar.”
Recomendações:
Estas escaladas foram abertas com muito empenho e dedicação de seus
conquistadores. Portanto respeite a ética, e jamais altere (acrescente
ou retire grampos/chapeletas) destas vias sem a autorização dos
conquistadores.
É sempre válido um diálogo com os escaladores que estejam conquistado no
local, para assim traçar melhor novos projetos de conquistas que venham
a ajudar no desenvolvimento da escalada na região.
Para repetir estas vias entre em contato com quem já as escalou. Assim
poderá obter dicas preciosas que poderá fazer “a” diferença para o
sucesso da sua escalada. A maioria das vias possuem livro de cume!
As montanhas estão localizadas dentro de propriedades particulares. Não
deixe de comunicar e pedir autorização de acesso aos moradores.
Praticando a gentileza e a educação, poderá comprovar a total
hospitalidade do povo de Pancas.
Dicas:
A melhor época para escalar em Pancas é no inverno, pois a cidade é
conhecida como uma das mais quentes do Espírito Santo. Fato este que
pode ser muito bem compreendido quando se observa a cidade de cima da
rampa de Vôo Livre (Pedra da Colina), e pode-se ver a enorme quantidade
de paredes que circundam (e esquentam) a cidade.
Para se hospedar na área urbana, uma ótima pedida é a Pousada Ninho da
Água, de onde se tem uma vista privilegiada da cidade e das paredes no
entorno (27-3726-1572). Mas se sua opção for estar em meio as montanhas,
pode ficar acampado no Sítio Cantinho do Céu, localizado no Córrego do
Palmital e encravado no meio de imensas e belíssimas montanhas
(27-9873-3385).
Os principais restaurantes da cidade são o da Santina que fica na praça,
e o Degas na entrada da cidade.
Maiores informações sobre os pontos turísticos de Pancas podem ser
obtidas com o Elson Nascimento na Secretaria de Turismo, que fica
próxima a praça/igreja.
+ infos: baldin23@yahoo.com.br /
www.ace-es.org.br
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AVISO : A escalada em suas várias modalidades é um esporte potencialmente
perigoso, que pode resultar em acidente e até morte do praticante.
Não somos responsáveis pelas informações contidas neste site, que venham a causar
qualquer tipo de dano à pessoa que por sua livre vontade, resolver praticar o
montanhismo, sendo que nem mesmo com guia especializado e equipamento adequado pode-se
eliminar a possibilidade de acidente fatal. |
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SUA SEGURANÇA É SUA RESPONSABILIDADE
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+ Revise nós e
fivelas do baudrier;
+ Inspecione seu equipo e
troque quando necessário;
+ Saiba se seu companheiro
está habilitado a escalar com segurança;
+ Cheque sua parada;
+ Equipamento fixo é
duvidoso, certifique-se;
+ Rocha quebra, teste as
agarras;
+ Sempre vistorie
duplamente seu sistema de rapel;
+ Capacete pode salvar sua
vida.
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